Minha geladeira, minha vida. Fevereiro 24, 2009
Posted by Nic in Divagações.Tags: amigos
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Sempre gostei de ímãs, são objetos tão divertidos com toda aquela coisa de pólo norte e sul. Eu costumava ter uma geladeira cheia deles, de todos os tamanhos, formas e cores. Eles ocupavam minha geladeira de cima a baixo. É claro que existiam ímãs que eu não gostava muito, mas bem… Eles estavam ali. Eu podia conviver com eles.
O maior inimigo dos ímãs são, com toda a certeza, as crianças pequenas. Elas os adoram. Brincam com eles, os colocam fora de ordem. E na minha geladeira não era diferente. Crianças iam e vinham, e uma vez ou outra, quando brincavam alegres e contentes, alguns dos meus ímãs encontravam seu destino no chão, normalmente quebrados e destruídos.
Não me entendam mal, mas aqueles ímãs que eu não gostava muito sempre ficavam mais embaixo. Ao alcance das pequenas mãozinhas desastradas. Mas existiam outros. Outros que eu não suportaria perder na guerra entre mãos infantis e gravidade. E eles estavam sempre ali. Bem no alto da geladeira, fora do alcance de qualquer mão descuidada.
Eu os arrumava em fileiras, um ao lado do outro. Eles não reclamavam. Podiam conviver juntos, sem grandes problemas. E lá eles iriam permanecer – por mim – por toda a eternidade, ou até o fim da minha vida (ou o que viesse primeiro). Outros ímãs iam e vinham, fazendo parte daquela vida na porta da geladeira. Alguns eram promovidos e eu os enviava ao topo, junto com os meus favoritos. Tudo da mais perfeita paz.
Um dia ganhei um ímã novo. Diferente de todos aqueles que eu já tinha. Colorido e alegre. Este ímã foi subindo rápido da escala social da minha geladeira. E dentro de pouco tempo já estava completamente enturmado com o escalão mais alto dos ímãs. O problema surgiu quando um dos meus ímãs mais querido e protegido foi contra a aceitação daquele ímã novo. Não sei se tinham pólos diferentes, energias magnéticas… Vejam bem, nunca fui boa com física, só entendia dos meus ímãs.
A vida na geladeira começou a ficar difícil, meu ímã antigo e querido se revoltou. Mas com o tempo eu consegui dobrá-lo, foi difícil, um trabalho árduo e quase fatal, porém o novo ímã estava aceito, se tornando um dos meu favoritos. Eu tinha agora dois ímãs muito queridos, dividindo o posto de meus favoritos, lado a lado. A paz voltou a reinar.
Até a chegada de uma nova criança. Ela era alta e levada. E sem que eu sequer visse conseguiu alcançar o nível mais alto da geladeira. Não consegui impedir. Meus dois ímãs favoritos sucumbiram às mãos malvadas daquela criança grande.
Eu tentei recuperá-los. Mas o ímã mais antigo estava destruído, completamente em pedaços. O novo sofreu uma rachadura, mas após uma boa dose de cola consegui grudá-lo novamente à geladeira.
Mas o meu ímã mais antigo estava completamente detonado. Eu chorei por algum tempo. Eu sabia que tinha tentado de tudo para salvá-lo, mas pelo jeito, meus esforços tinham sido em vão.
Como se não bastasse a minha tristeza pelo ímã perdido uma nova situação estava me deixando ainda mais machucada. Apesar de por fora estar tudo bem, o meu outro ímã não conseguia mais ficar no topo. Algo o puxava pra baixo. Junto com os outros, fora da segurança.
Eu tentava puxá-lo pra cima, junto aos outros. Mas ele insistia em ficar embaixo. Por enquanto ele ainda está inteiro, mas nunca se sabe quando outra criança vai aparecer para brincar com os meus ímãs. E deixá-los cair junto ao chão, em frangalhos.
